2018.08.02 - Regressando

Querido Rosa,

Temos um medo do que é branco.
Na casa de uns meus avós havia um sótão para onde subíamos na juventude. Era escuro como ascender em vida deve ser.
Subia com os irmãos. Agarrávamos mãos, uns e outros. O sótão tão escuro de noite. Contávamos histórias para assustar no sótão. Víamos contorno de caixas e arrumos. Coisas que não eram mais precisas. Enterradas sem lhe ser preciso a terra.
Havia muito medo.
Medo em desaparecer.
Eu tinha muito medo. Era muito o primeiro a desistir e acender a luz.
Trocava o medo de desaparecer pelo medo de não existir.

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